Barganhar ou não Barganhar?


Hoje resolvi escrever um pouco não exatamente sobre viagens, mas sobre costumes.

Vocês sabem que em muitos países é comum a prática da barganha. Principalmente em países em desenvolvimento, em mercados públicos e feiras. Em lugares como Peru, Colômbia, Tailândia, India, Egito, alguns países da Africa, Emirados, Marrocos, Turquia e claro Brasil (entre outros) é muito comum que os itens à venda não tenham um preço fixo. Eles normalmente tem um preço inicial, que fica em torno de 10x o preço justo. E daí, cabe ao comprador/negociante conseguir levá-lo pelo “melhor” preço.

Conheço várias pessoas que já negociaram horrores nesse tipo de mercado e que voltam contando vantagem, dizendo que conseguiram comprar por 3x o produto que antes era 10x. Felicidade que dura só até eles descobrirem que o colega de viagem comprou o mesmo item por 1x. Daí, fica aquela situação… (melhor é comprar e ficar quieto mesmo).

 

Eu confesso que odeio barganha. É obvio que se eu for num mercado ou souk no Egito, eu vou barganhar porque sei que se não fizer isso estarei pagando muito mais caro do que deveria. Porém, confesso que não gosto desse costume. Acho essa prática desrespeitosa… típica de povos subdesenvolvidos (estou incluindo o Brasil nessa, ok?). Tipo, parece que sempre tem alguém tentando te passar a perna. Parece que o vendedor olha para a sua cara e decide o preço pensando em quanto você pode pagar e não em quanto o produto realmente vale. Parece coisa de gente desonesta. (Não estou generalizando, por favor, não se ofendam).

Vocês já perceberam como é difícil acontecer esse tipo de coisa na França, na Inglaterra, ou na Austrália? Nesses países é considerado falta de educação barganhar. Você pode até mesmo ser mal interpretado se tentar algum descontinho (#ficaadica).

Um vez, comprei um vestido numa outlet da Australia por AUD 35 (dolares australianos). Era um vestido de festa longo… lindo. Em outlets, é possível conseguir preços absurdamente baratos pelos produtos (sem barganhar!!) Então, decidi mandar encurtar o vestido e procurei um serviço de costureira em Sydney. Levei o vestido para a avaliação dela e ela me disse que o serviço custaria AUD 25.  E eu exclamei: AUD 25!!

Disse a ela que havia pago apenas 35 dólares pelo vestido e que achava um absurdo pagar quase o preço do vestido apenas para ela cortar um pedado e fazer a barra. E ela me respondeu: NÃO POSSO BASEAR O VALOR DO MEU SERVIÇO PELO PREÇO QUE VOCÊ PAGOU O SEU VESTIDO. Se tivesse custado 10, 50 ou 200 dolares, o meu serviço custaria o mesmo.

Calei a boca, paguei os 25 dólares e sai do estabelecimento com o rabo no meio das pernas depois de tomar uma lição de moral poderosa da titia. Mas valeu. Aprendi. E hoje, me identifico com as palavras dela cada dia mais. Não gosto de barganhar por produtos nem por serviços. Gosto quando me falam um preço e é o preço justo, não inflacionado (já pensando no posterior desconto).

Então, minha resposta à pergunta do título é: Barganhe apenas quando essa for a cultura do país que você está visitando. Não barganhe nos Estados Unidos, na Australia, na Nova Zelândia e na maioria dos países da Europa.

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